quinta-feira, 12 de junho de 2008

deixa-me rir
________ser andorinha
numa primavera
________ tardia

já é verão?! que importa
- também ícaro voou! -
senão ser riso ao sol?!

rir! antes que outro inverno torne...
Será talvez a única coisa que procure
a memória de um nome
que nunca tive
a que nunca chamei meu

nome
aonde és?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Estou atrasada com a feira do livro, atrasada nas exposições que quero ver...
... atrasada com a vida?

terça-feira, 27 de maio de 2008

os dias passando...

cada vez estando menos sózinha... sentindo cada vez mais uma (diferente?) solidão...
falta uma certa escuta... outras escutas
um caminhar que não espera, por nada nem ninguém... nem muitas vezes sequer por mim
um andar que não procura, encontra, passa(?)... passa como os dias... passando

terça-feira, 11 de março de 2008

sem o saber estava sentada num canto deste lugar. num canto demasiado visível para ser escutada. num canto demasiado silencioso para haver palavras. aqui fico até regressar.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

. . .

vamos pondo tantos pontos (finais) na nossa vida, que ela vai-se preenchendo de reticências

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

(amor... ou uma qualquer tentativa de definição)
fechar os olhos. sentir o bater do coração do outro dentro de nós.

sábado, 26 de janeiro de 2008

e quando se tem numa mão, o sonho, e na outra a realidade? quando não se sabe se estão abertas ou fechadas.... como se de outros corpos - estranhos - se tratasse? o que fazemos das nossas mãos?!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

o sonho nao sobrevive sem clarões de realidade...
a realidade enraiza-se no sonho...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

4

4 anos depois. quatro.
comigo. e este lugar. sendo com, pelos outros. atravessando passo após passo. sempre em aberto - de olhos, de coração abertos - caminhando.... caminhando.... caminhando...
(...por caminhos de asas...)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

gosto de viver. acho que só gosto de viver enquanto gostar de ser eu, enquanto gostar de caminhar lentamente absorvendo a vida. olhando, olhando, olhando muito. como se saboreasse cada molécula do ar que me envolve. quando não gostar, quando não gostei, e deixei de ser eu. quando não gostar, deixarei de viver, mesmo que essas moléculas continuem envolvendo o corpo que digo meu.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

um banco de jardim. uma chuva de folhas de outono. um pássaro esvoaçante. em mim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

pequenos detalhes

É nos detalhes que muitas vezes se encontram diferenças fundamentais. A escolha das palavras, o vocabulário que nós é próprio, distingue-nos, acrescenta-nos ou substrai-nos de outros mundos. Vem isto a propósito da escuta de uma palavra - e como estas nos podem afectar! -. Ainda se ouviu baixinho 'mereces...', logo negado e substituído por um 'és digna...' Uma quase insignificante e mínima diferença. E se no dicionário aparecem como sinónimos, não o são. Porque a segunda é qualidade (característica) da pessoa, enquanto a primeira está dependente de uma atribuição externa ou de um julgamento. E isso... isso... quem é o outro para avaliar?!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

eco do silêncio

entro
dentro do silêncio

como uma câmpanula
como um ovo

(já escutaram os ecos do silêncio?)

como um refúgio

como braços abertos
fechados em torno de mim

o silêncio
dentro de mim

este silêncio não é ausência
do que vem do exterior

pois se ouço

as ondas baterem levemente no cais
o ancinho varrendo folhas amarelas de outono
o comboio rolando nos carris
o pousar de gaivota na amurada
o esvoaçar das penas de um gaio azul
as vozes de homens que passam
o breve assobio de ave despercebida

este não é o silêncio da terra
que se move e agita
abafada pelo ronco de um automóvel

este é o silêncio do mundo
do mundo onde já só falo
com o eco deste silêncio

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

sobre o caminho das folhas de outono, escuto aqueles passos.