quinta-feira, 4 de agosto de 2005

unanimidade

do Lat. unanimitate
adj. 2 gén., qualidade de unânime;
concordância geral;
integral conformidade de votos ou de opiniões


Em muitos aspectos, acha-se que a unanimidade significa o reconhecimento de todos. "É unânime considerar que..." Por vezes, é quase sinónimo de valor reconhecido; sem esta 'qualidade', parece que há algo que desmerece.
Talvez até há poucos dias atrás, não pensasse (n)isso.
Pois não é uma "crença irracional", quase infantil, queremos que todos gostem de nós?!
E se pensarmos um pouco mais: queremos mesmo que aqueles que achamos medíocres, nos achem com valor?
Será pedir demais que alguns ultrapassem as suas 'pequenezas' e vejam mais além, vejam a diferença, ou mesmo, a qualidade, sem se colocarem eles próprios em causa?
A célebre frase: "não faria parte de um clube que não me aceitasse como membro" não é apenas uma redução da dissonância, é também, ou sobretudo, uma prova de auto-estima.
Precisamos da 'aprovação' de outros, sim; mas de alguns, daqueles que nós consideramos. Dos restantes... dos outros, esperamos apenas a hombridade de não serem demasiado injustos...

terça-feira, 26 de julho de 2005

paradoxo

Não me apetece blogar. Nem hoje, nem ontem, nem anteontem...
Não tenho encontrado sentido para aqui estar.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Porque...

hoje pode ser o nosso primeiro dia...
... Quero renascer contigo.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Ingénuo

O livro foi arrumado na estante. Separado. Junto com os outros. A frase transbordou o seu lugar e ficou pairando desde que foi lida. Como fica quando se reconhece qualquer coisa que se sente como verdade. Naquele "Vinte e zinco" (de Mia Couto) diferente = igual a outros Vinte e cinco. Nada nos resta senão mergulharmos nas águas do lago com ou sem ingenuidade. "Ingénuo não é o que acredita mas o que pensa que os outros também acreditam". Cubro-lhes, sempre que posso,a cabeça, o corpo, com o manto da credulidade. E seja feita a ... vontade (não sei bem de quem), Amen!

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Cor-po-sição


Um certo dia direi
fui
joelhos e curva de pescoço,
mão e barriga de pernas,
ombro e coxas
unhas e ancas
tornozelos e dedos
cabelo e omoplatas
pulso e virilhas
olho e cotovelos
mais umas quantas formas
ou lugares.
sou
tudo isto
mais qualquer coisa
indizível
informe
in-contida
espelho meu
d'outrém
reflexo-s
num qualquer tempo.

Um certo dia direi
fui
carne e espírito
mais qualquer coisa
num qualquer tempo
ou lugar
E nunca te ofereci a festa-surpresa que tu idealizavas, gaiata. (...) pensava organizar-ta quando tu fizesses quarenta anos. Com quarenta amigos, evidentemente.(...)Sonhei a vida inteira com uma festa-surpresa que nunca me fizeram (...) Vivia a sonhar com esse dia em que um de vocês me atrairia a um restaurante à beira-mar onde estariam todos os meus amigos e amores, rodeados de rosas brancas e balões coloridos, com um piano e a guitarra do Pascoal, para me receberem em apoteose ao som de A Sombra das Nuvens no Mar"
Fazes-me falta, Inês Pedrosa

Estou viva... para mim, ainda não acabou. E Tu cantas encostado ao calor da minha boca vermelha... E digo-te... fazes-me falta, amor.

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Do Passado... ou uma carta a LULU






"Era evidentemente mentira tudo aquilo que eu contara na minha carta de amor, ou melhor: era tão verdade que ainda não tinha acontecido"









António Pedro (da Costa), Apenas uma Narrativa, Editorial Estampa, Lisboa, 1978, 2ª ed. p. 73.

Véspera



O final de algo é sempre o início de outra coisa qualquer. Não há fins. Não há começos. Sómente a nossa mente precisa de marcos. Um antes de... um depois de... Mesmos sentados, quietos, há algo que mexe, um movimento (im)perceptível. Uma continuidade qualquer.
Assim na aparência, a imobilidade, deixando o rio fluir - rio previsível, tantas vezes - não traduz uma quietude. Apenas nada poder fazer para que o rio mude o curso. Não é isso uma certa sabedoria?!... Não mudar aquilo que não está ao nosso alcance, aceitá-lo. Mas não deixarmos de nos banharmos no rio. Usufruir das suas águas?! "Resta" - e é tanto! - sabermos mergulhar (ou não), dançar nas gotas de água que escolhemos. E amá-las.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

para um regresso

Pelos sonhos vamos...
...dançando em asas do vento.
em movimentos ascendentes que nos fazem voar...
pousando suavemente em terra
como se a Mão nos aparasse

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Domingo?

Aproximam-se certas datas. E por mais que racionalizemos que tudo é uma convenção, que é apenas mais um dia dos muitos que vamos vivendo, sentimos um sabor a sal. E vem o desejo de água. Que o leve/lave depressa. Porque nesse sabor, que embora seja a sal, não conseguimos identificar, há um desnorte de 'nem lá vou nem faço nada'. E sentamo-nos a um canto, à espera que passe. Pensando o desperdício das horas. Não valorizando com propriedade o que sabemos de bom. E depois dizemos... Não gosto de domingos - o outro não gostava de Mondays -. É verdade. já houve tempos em que muitas vezes não gostava de domingos. Nos últimos anos, comecei a gostar. mas depois, lá vem um, para confirmar estados antigos. Estados inquietos. Um pouco depressivos. Esquecidos do sol que aquece lá fora. Não nos sentimos bem connosco próprios. A insatisfação borbulha na nossa pele. Quando estamos sós, é momento de darmos com a cabeça nas paredes, de podermos dar asas à nossa infelicidade existencial. Quando amamos, não queremos que o outro sofra com as nossas infelicidades; especialmente quando sentimos o quanto ele nos quer. Há sempre um espaço-buraco em que permanece insatisfeito, inquieto. É isso que nos move... embora por vezes nos paralise.
Empurro-me. Para a frente. Há afinal tanta coisa que vale a pena... Coisas que nos acarinham... (como a tua voz que interpolou esta escrita).

terça-feira, 21 de junho de 2005

Plenitude

Deitados. Lado a lado. Olhos nos olhos. Perto. Tão perto que a respiração parece ser apenas uma. Um corpo, só. Na noite, a lua, círculo quase perfeito, vela no azul nocturno. Tão próximos que a luz, quase inexistente, basta para que os olhares se falem. Se amem. Fundem-se como água, como chama, envoltos pelo rumo de um farol.Em sentimento de plenitude.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

"Estou de passagem: amo o efémero"

Quando o sentir se fez poesia
houve um homem que se chamou
Eugénio de Andrade

(Não sei se foi - é - um dos maiores poetas portugueses, sei que a sua poesia, na sua totalidade, é daquelas ou mesmo aquela que mais me tocou, que mais me toca, que me é mais sensível. Obrigada Poeta, por ter criado palavras com nome de poema)

Também hoje morreu um outro homem. De convições. De luta 'teimosa' e persistente por ideais em que acreditava. Um homem que, na minha infância, mais ou menos inconscientemente associei/identifiquei com um outro homem, a quem eu amava (amo), que também sentia, sabia ter lutado por aquilo em que acreditava. Um foi um 'actor' na vida, este outro, um 'observador' pela sua natureza. No fim das suas vidas, apenas homens. Ruindo o mundo em que viviam, vão-se despedindo, um a um, gentes de uma geração que quer queiramos ou não, deixaram o seu legado... a utopia por um mundo melhor.
E que a continuemos... sempre transformada.
"Porque somos muito
E o tempo de sermos é tão breve"
(a, de, sua irmã, Maria Eugénia Cunhal in As mãos e o gesto)

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Palavras de Camões

Amor é um brando afeito
que Deus no mundo pôs e a Natureza
para aumentar as cousas que criou.
De Amor está sujeito
tudo quanto possui a redondeza;
Nada sem este afeito se gerou.
Por ele conservou
a causa principal o mundo amado,
donde o pai famulento foi deitado.
As cousas ele as ata e as conforma;
com o Mundo, e reforma
a matéria. Quem há que não o veja?
Quanto meu mal deseja, sempre forma.

Líricas, excerto da VII Écloga

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Charcos e pântanos

(também eu) sei ler nas (entre-)linhas
como não o poderia?! estão lá as palavras
as negadas, as recusadas, as rejeitadas.
mais de um mês depois, do que foi dito - sim, tive paciência para as ler - paciência e mais alguma coisa, ou menos, menos de mim. Que me firo, ao atacar para me defender de algo que outros (me) julgam ser, ou ter sido, eu. (Mas afinal, não falam mais do que de si próprios!)
que me interessa?
que me interessa, se neste contigente cansaço de ter de existir, quero apenas uns momentos felizes?! Para lixo, para merdas, já tive o suficiente... e tê-lo-ei no que sou obrigada quotidianamente, esse suportá-lo-ei... fechando olhos ou ouvidos... que também sei que nada mudarei... sim, já não acredito em mudar o mundo, nem alguém... nem o quero sequer. Nem a mim própria.
É 'pecado' querer ser ave...
fugir, porque não??...
quando se vê pântanos por todo o lado?
Quero apenas salvar o que pode ser salvo
Voar
em mim
numa mão aberta de límpidas águas.
Porque o que há são verdades, com s. (nem essas há, verdadeiramente). Há somente uma procura daquela(s), busca árdua e dura, porque ela não está ali à nossa espera, somos nós que temos de a construir incessante e malogradamente.
E (talvez) uma verdade é que temos de ser nós próprios a fazê-lo, connosco mesmo, nunca um outro. (não refiro, com um outro)

segunda-feira, 6 de junho de 2005

"Eppur si Muove!"


Se o nosso olhar se fixa num ponto, parece que tudo pára. Que tudo está parado, imutável. O dia de hoje pouco difere do de ontem. É necessário um maior ou menor distanciamento para nos apercebermos que afinal, e contudo, move-se